Certa vez, há uns bons incontáveis anos (além de minha memória), recebi de Catarina um poema que a havia marcado. Brincando nas praias gélidas virtuais, acabei por lembrar-me dele sem, no entanto, conseguir a tradução que eu lera quando ele me foi apresentado. Como poderia esquecer-me deste texto, de W. H. Auden? Busquei pela ótima tradução com que eu fora brindado sem obter o desejado sucesso. Preguiçoso, fiquei satisfeito com a versão em língua nativa que encontrei em uma página da Universidade de Ontário.
Detective Story
For who is ever quite without his landscape,
The straggling village street, the house in trees,
All near the church, or else the gloomy town house,
The one with the Corinthian pillars, or
The tiny workmanlike flat: in any case
A home, the centre where the three or four things
That happen to a man do happen? Yes,
Who cannot draw the map of his life, shade in
The little station where he meets his loves
And says good-bye continually, and mark the spot
Where the body of his happiness was first discovered?
An unknown tramp? A rich man? An enigma always
And with a buried past but when the truth,
The truth about our happiness comes out
How much it owed to blackmail and philandering.
The rest’s traditional. All goes to plan:
The feud between the local common sense
And that exasperating brilliant intuition
That’s always on the spot by chance before us;
All goes to plan, both lying and confession,
Down to the thrilling final chase, the kill.
Yet on the last page just a lingering doubt:
That verdict, was it just? The judge’s nerves,
That clue, that protestation from the gallows,
And our own smile . . . why yes . . .
But time is always killed. Someone must pay for
Our loss of happiness, our happiness itself.
O poema fala por si só.
Minha falta de habilidade com as palavras ganha nitidez absoluta, após cuidadosa leitura deste poema. Singelo - e “singelo” tem, em minha boca, a mesma entonação e densidade com que imagino a palavra “maravilhoso”, em outra (não importa, deixemos pra lá que isso foge ao ponto e, certamente, me cansa) -, preciso e humilhante. Venho escrevendo sobre o exato mesmo tema há dias, conseguindo finalizar um ou outro texto, só pra lembrar-me desta obra de arte. Desculpem, a repetição se faz necessária, somente no reconhecimento alheio me tranqüilizo: este poema é uma obra de arte.
Venho brincando de detetive nos últimos dias. Não me agüento, é uma obsessão. Tenho uma série de pequenos vícios, com os quais convivo sem maiores problemas em meu dia-a-dia: refrigerante, chocolate, leitura, internet, Vimeo; alguns destes pequenos vícios se tornam obsessões, sem maiores danos à sociedade: conheço pessoas diferentes sem que elas me conheçam (seria quase um stalker não fosse o fato de que estas pessoas estão disponibilizando suas vidas on-line, logo estou mais para um observador enquanto as pessoas… bem, se é pra culpá-las, são exibicionistas até quando tentam apagar os próprios rastros), coleto informações - utilizaria o adjetivo “inúteis” só que não acredito na existência de informação inútil - e passo noites acordado planejando meu próximo trauma.
Minhas conversas têm sido quase que estritamente sobre trabalho. Gostaria de ter mais disposição pra prestar atenção às idiossincrasias ao meu redor: a mulher que não tem mamilos e, por isso mesmo, adora os mamilos alheios, a irlandesa que não gosta de Guinness (ou mesmo de cerveja, se querem saber) nem luta boxe e prefere Irn Bru - a bebida é escocesa, mas vá lá - à uma Pepsi, tão conhecida e americana.
Trabalho, trabalho, trabalho. O Joselito, amigo que me foi presenteado pelo ambiente de trabalho, gosta de me chamar de “Monstro do Pântano”, por causa de meus cabelos - um comentário à parte: se ele encontrasse a garota que não tem mamilos, nunca mais se separariam (e ele bem que tentaria, com muito afinco). Não é inveja nem desdém, ele não gosta dos cabelos e tira sarro, sem crises entre nós. Mudei de assunto, fui ao pântano. É hora de mudar de visão, arrumar o tabuleiro, deixar a Louca da Casa brincar e ainda achar um jeito de manter a mais absoluta serenidade.
São 4:24 da manhã. Não estou sereno. Tampouco ficarei, esse papo de achar serenidade é conversa pra boi dormir. É, metáforas bovinas estão se tornando uma obsessão; além de comer a carne, faço piadas duvidosas usando-as como tema.
Como é mesmo que o Durden costumava falar? Ah, ele dizia: -”Você precisa desistir, desistir. Você precisa aceitar que um dia você morrerá. Até que você saiba disso, você é inútil.” Certo, vamos ao pântano. Às escolhas difíceis.
Por onde começar?
Desistências: qual a próxima?
Setembro 26, 2007 em 10:32 am
Conheço também outra pessoas com esse ímpeto investigativo.
Eu não tenho paciência. Nem vontade.
Mas, sim, fiquei com medo de ti.
Hahahahahahahahaha.
Beijo.
Setembro 26, 2007 em 4:06 pm
Só um comentário que pose ser sórdido mas a referencia de “monstro do pântano” a qual não é real pois mas agora goste e agrego aos meus comentários sobre este ser o qual escreve estes artigos mas o utilizado é CP e que podem ter dois significado Criancinha do Pântano ou Criatura do Pântano que embora pareça uma ofensa mas não é.
Ficou muito bom o texto e antes de mais nada via cuidar de teu filho.