Sacaneando T. H. White e, conseqüentemente seu mago Merlyn , em Espada na Pedra, “A melhor coisa para uma bebedeira é escrever algo.” Tudo bem, mentira deslavada; enquanto iniciava isso, ia lembrando do queridíssimo Guimarães tentando formatar seu PC a cada novo porre.
More beer.
A long time ago
A moment in history
When all there was to drink was nothing but cups of tea
Alone came a man by the name of…
Pouco importa.
Conversa com o Sr. do Lazer.
Santos desapareceu (maldito! isso lá é hora de conseguir ser solitário?).
O que resta? Acabo de fazer questão de dizer a Hazel, o Sr. do Lazer, que me faltam referências para agradecer o presente que acaba de me conceder.
Não é uma mentira. E é.
Tenho algo, que entoaria com Santos. Não é um presente, jamais seria. É algo que preciso ter escrito, que faz parte de quem, eventualmente, me tornei. Quem me tornei? E quem diabos é McFly?
(Volto a essas perguntas em breve, preciso)
Cito.
Obrigado, obrigado, obrigado.
Porém cantar, sonhar, passar
Ter liberdade e fibra,
Ter a vista segura e ter a voz que vibra
Pôr o meu feltro à banda e - espanto dos perversos -,
por um sim, por um não bater-me, ou fazer versos?
Trabalhar sem ter fito em lucros e honrarias,
Numa excursão à Lua e noutras fantasias!
Nada escrever jamais
Que eu mesmo não produza
E, modesto, dizer à minha altiva musa
“Seja do teu pomar - teu próprio - o que tu colhas
Embora fruto, flor, ou simplesmente folhas”
Depois, se acaso a glória entrar pela janela
À César não dever a mínima parcela
Guardar para mim mesmo a gratidão mais pura
Enfim, sem ser a hera - a parasita obscura -
Nem o cavalho e o til, gigantes do caminho
Subir, não muito sim,
Porém subir sozinho.
(ok, eu precisei reler duas vezes até chegar a algo próximo ao que acredito ter decorado)
Natal.
A parte ruim do Natal é descobrir coisas, situações, meias-verdades. Eu descobri que não queria estar neste lugar; e não gostaria de estar em nenhum outro. Há tempos esta época do ano não favorece meus apetites, em absoluto. A culinária natalina não me apetece, definitivamente. Ser quase que obrigado a agüentar esta ou aquela situação, aquela ou aquela pessoa? Céus (praguejemos).
Devo ter insultado alguém, há pouco. Quem escreve o que quer, ouve o que não quer. Poderia ser diferente, mas… precisaria? Não.
Vejamos: o texto mal começou e já parece longo: dá-lhe linhas, dois pontos, parágrafo, memória curta, trecho longo (e, ainda assim, menor que o original). Disse nada e consegui gastar a referência que provavelmente me é a mais querida, de todas, todas. Maldita mania de usar vírgulas pra separar palavras iguais, escrever como penso, falando e colocando na folha branca, digital, limpa e limpa, sem os borrões que tanto me irritam ou as marcas que freqüentemente deixo ao manusear. Alguns manuscritos estão velhos e amarelados e, apesar de em minha posse, não me pertencem mais, certo Santos?, Ó Santos que toda quinquilharia há de herdar porque, e só porque, teve o azar de parecer-se comigo, nem que seja como uma sombra ou a estátua que me cobre, pouco importa, as sombras se fundem e não são duas. Não deveria ser surpresa, e é. Ou não. Queime tudo, não posso me importar. When I’m gone, I’m gone. Before that, you simply wouldn’t dare, nest-ce pas? (Batman, 1989, primeira lição de francês da minha vida: -”Bruce. Wayne, nest-ce pas?”).
(que os longos períodos, estranhamente pontuados, se percam na escuridão, estáticos, sem voz, substância ou humor)
Pronto a fazer uma calhordagem. Que ninguém, pelamor, ninguém, se jogue na arapuca. Ela não está posta pra pegar nada, é apenas… *sigh*
Não minto.
Sou McFly. Sou O’Melk. Sou Cameron (claro que sabias dessa). Sou ninguém. Faço questão de. Deveria ficar chocado se e quando alguém, quem quer que fosse, esquecesse meu nome. Não fico, sou anônimo, sem honras, glórias, feitos. Amigos de 20 anos se esquecem, completa e inequivocadamente, de meu aniversário. As pessoas com quem trabalho não sabem meu nome e eu, pra felicidade delas, mal consigo me lembrar que já as vi nalgum, como só a Cabessandra juntaria conjunções - e acabo de descobrir que, em certas regiões, conjunção refere-se à menstruação. Bêbado com dicionário na mão, pode? -, momento de minha vida. Sou uma negação com nomes, não os decoro e mal me lembro dos rostos. Total vergonha.
(714 conjuntos - não necessariamente palavras, uma pontuação qualquer já conta como um conjunto. Adoro números, me prendo mais a eles, enquanto escrevo, a cada dia que passa)
Esqueceram de mim. Do aniversário, até de meu nome. Alguns me vêem, talvez, como garoto do futuro - não aquele do filme em que o menino virava lobisomem (tradução pobrérrima de Teen Wolf), não, estou falando do bom e velho McFly, mesmo. Deveria sentir-me insultado, é o que a curva faria. Não sou a curva. O tragicômico é que não ser alguém me torna uma pessoa mais feliz, ainda. Minto todo o tempo. Delicio-me ao notar olhares de interrogação, cheios de dúvidas quanto à minha verdade. Não tenho verdade, ela nunca existiu, em lugar ou tempo algum. Ainda durante a semana que passou disseram, em resposta a qualquer coisa que eu tenha dito: -”Caramba, eu nunca sei se você está falando a verdade ou está mentindo.”
Sempre minto.
Sempre. Nasci mentiroso. A primeira coisa que disse em minha vida foi “os brutos também amam”, aos três anos. A primeira palavra que li foi “Maringá”, de um cockpit. A primeira vez que me arrisquei, foi saindo de um ônibus. Não conclui a universidade, jamais fui ao cinema, começo os livros na metade e paro antes do fim.
Estou apaixonado. Não, bloco errado, suba ao anterior: amo.
Me calo. 960 é múltiplo de 3, como qualquer número cuja soma dê 3: (de 12, 1+2=3; de 15, 1+5=6, etc. etc.)
Maria acaba de sair.
Ela gostou do que lhe disse, antes que partisse. Não sei me despedir, também. Diabos, nem sei escrever. Chega!
Saio eu, sai você.
Gracias señor Gaiman. Onde mais eu, logo eu, leria sobre anjos, demônios e o inefável? Gracias.